Da Girafa

Essas crônicas não são para esbofetear a sua moral porque a vida já é uma escola que te dá vários tapas na cara. Primeiro, vem o aviso; segundo, pode ser que, por consequência do fato, você leve um tapa na cara. Por isso, escute logo e caminhe.
A girafa ao nascer já sai correndo de seu predador. Sem saber direito como esticar as pernas, a mamãe Girafa dá-lhe um safanão nas ossudas nádegas com o fucinho ao passo que olha para trás.
- Corre, meu filho. A vida já começou.
Todos nós vivemos nosso dia de nascimento de girafa na selva da vida. Em algum momento inesperado há um safanão no nosso bumbum mal formado, nas pernas que nunca se esticaram para uma corrida, mal engolindo o primeiro ar das situações.
Vai, girafinha. Nem olha para trás.
Ainda por ocasiões, levantamos nosso pescoço comprido, olhamos mais alto, pairando aquela nuvem tranquila que nubla as ideias como um querubim de voz aveludada que diz: “está tudo bem...” e depois, toca a sua harpinha. De repente, vem aquela mordida no bumbum ordinário cheio de ossos, enquanto o falso querubim sai voando pra cantar em outra orelha tonta.
Abra os olhos. Abra os ouvidos também, girafinha.
Antes que a vida te traga, seja como as girafas. Elas estão acima das circunstancias e alcançam o que nenhum outro animal pode tocar. Talvez porque nasceram correndo, e não tiveram tempo para mamar.


Toma via crônica

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