As nossas preciosas mãos

Uma vez um bebezinho descobriu a mão. Viu a tia acenar devagar para que ele visse como era aquele balanço. Ele ergueu a sua, lentamente, olhou-a frente e verso, e assim ele descobriu-a. As suas obras em vida começaram a se erguer pois suas mãos pequeninas já não eram mais pequenos chocalhos; agora eram feituras de Deus para exercer feituras na Terra.
A mão é esquecida com o tempo, mas é lembrada, às vezes, em alguns momentos: a unha não feita, os dedos que não devo estalar para não engrossar e no momento que um rapaz a beija. Entretanto, as mãos são muito mais que isso.
Olho para as palmas das minhas mãos de vez em quando, e reflito. Penso no que elas podem fazer. Então escrevo as minhas crônicas, este solo onde minhas mãos lançam a semente, e aguardo colher seus frutos. E assim me lembro que elas são mais importantes que qualquer esmalte que possa usar, qualquer dedo que possa estalar, ou qualquer beijo doce que possa receber.

Toma via crônica.

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