Quero me lembrar de um simples bolo

Eu quero me lembrar dos bolos da minha mãe nos fins da tarde de domingo em que na frente da tevê ao ver os Trapalhões curtia o cheiro da receita comum do livro de receitas azul todo coberto de palavras que eu não conhecia mas as sentia todas elas com o bolo pronto ao mastigar o seu sabor.
A casa estava limpa, eu sentava no chão de tacos de madeira encerados com a enceradeira elétrica que hoje em dia é tudo invenção do passado pertencente aos museus.
Sentava e esperava.
Minha mãe fazia percussões com as panelas e eu na harmonia engrenava o riso daquele Mussum barrigudis esse homem que não durou muito tempo vivo em meu olhar.
Ninguem pode tirar o meu riso das doces lembranças da vida como um bolo de chá de tarde que não guarda nem o amargo e nem o dissabor.


Toma via crônica.

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