Memórias dos meus ouvidos

Se tiver uma coisa que me trata e persegue é a paciência. Não de pressa, não. É de ouvir os outros. E grito dentro de mim “Jesus!”. Língua desesperada e dois ouvidos ardendo... Trata mesmo Jesus.
         E meus ouvidos falam:
        - Não agüento! Não agüento! – Oh! De horror.
       E os ouvidos pedem ajuda à boca, que não ajuda. Esta faz pose de sorriso sem graça, e se segura. Ela é espiritual, e não carnuda como os ouvidos.
     - Aê boca! Abre essa... Boca! – Diz os ouvidos à boca.
     E dentro de si, a língua, a mais sagaz da parte corporal, sacode nos céus da boca, gritando:
    - Vem calar!Vem calar!
     “Aí se fossemos boca!” – Pensa os ouvidos.
     Mas o cérebro, célebre, aquieta todo mundo, na sua simples autoridade.
    - Quietos.
    Quem manda aqui é ele. É ele quem decide. Sabiamente dribla o “santo falador”, com muito amor, sem destruir os ouvidos, a mente, e até mesmo o coração. De quem fala e de quem ouve: Eu mesma.

Toma via crônica.

Um comentário:

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