Da Girafa

Essas crônicas não são para esbofetear a sua moral porque a vida já é uma escola que te dá vários tapas na cara. Primeiro, vem o aviso; segundo, pode ser que, por consequência do fato, você leve um tapa na cara. Por isso, escute logo e caminhe.
A girafa ao nascer já sai correndo de seu predador. Sem saber direito como esticar as pernas, a mamãe Girafa dá-lhe um safanão nas ossudas nádegas com o fucinho ao passo que olha para trás.
- Corre, meu filho. A vida já começou.
Todos nós vivemos nosso dia de nascimento de girafa na selva da vida. Em algum momento inesperado há um safanão no nosso bumbum mal formado, nas pernas que nunca se esticaram para uma corrida, mal engolindo o primeiro ar das situações.
Vai, girafinha. Nem olha para trás.
Ainda por ocasiões, levantamos nosso pescoço comprido, olhamos mais alto, pairando aquela nuvem tranquila que nubla as ideias como um querubim de voz aveludada que diz: “está tudo bem...” e depois, toca a sua harpinha. De repente, vem aquela mordida no bumbum ordinário cheio de ossos, enquanto o falso querubim sai voando pra cantar em outra orelha tonta.
Abra os olhos. Abra os ouvidos também, girafinha.
Antes que a vida te traga, seja como as girafas. Elas estão acima das circunstancias e alcançam o que nenhum outro animal pode tocar. Talvez porque nasceram correndo, e não tiveram tempo para mamar.


Toma via crônica

Chá com Penina Mendel

Deixe eu açucarar a sua vida, my Lady, convidando você para o chá dos momentos degustantes da vida. Quero que você sente e feche os olhos. Vamos numa viagem sentar nessa mesa de chá. Antes quero avisar que não tomarás chá com o Chapeleiro Maluco e nem vai tomar um chá de cadeira. Esse momento é para relaxar como deitar numa banheira de água quente com relaxante muscular...
Ei, pode olhar agora. Estamos num campo ensolarado no pico de uma montanha. De grande aqui, apenas a árvore que nos dará refrigério. Sinta o cheiro da grama. Um cheiro de capim cidreira toma o ar, é o convite para sentarmos à mesa atrás de nós. Você está vestida de leveza como de princesa divina, e por um instante você percebe que o peso da vida se desfez como machucado no unguento. Tem um leve sorriso no seu olhar, suas pálpebras sobem e descem suaves, pelo que não abrem muito porque o sol desse dia que não sabemos onde se situa, está incomodando um pouco os seus olhos. Mas isso é bom, vai trazer lucidez.
Na mesa que se situa na sombra da árvore, utensílios de porcelana luxuosos sobre uma toalha tão clara como a santidade. Os talheres prateados brilham como se fossem feitos apenas para esse momento. Um cheiro de bolo de cenoura mistura-se ao do chá. Sinal que devemos degustar.
Antes de tomarmos o chá eu tenho uma proposta a fazer. Nessa mesa há três cadeiras. Uma para mim, uma para ti, outra para um convidado especial. Você pode escolher tomar chá apenas entre nós duas, mas depois você vai precisar comer de novo, e você não sabe o ambiente que se mostrará no amanhã. Ou, podemos tomar entre três, se permitir que esse convidado especial entre. Caso O convide, você nunca mais precisará sair desse ambiente, e nunca precisará viver um Talk Show com o mundo que só aceita um e tritura a todos outros que vê.
Convicta eu vejo seus olhos. Você quer saber muito quem Ele é. Você já ouviu falar, mas nunca sentou à mesa com Ele. Todos dizem que o conhecem, mas nunca tomaram sequer um café com leite em Sua Presença. Para conhece-Lo, é necessário convidá-Lo, e sem convite ninguém pode entrar em sua vida.
Sim, você pode experimentar de Jesus em sua vida. Sim, se quiser, você pode tomar um chá e comer bolo  de cenoura com Ele. Algo tão intimo e tão estranho, papo de gente maluca, que “aonde já se viu tomar chá e comer bolo com cenoura com o próprio Deus encarnado? Penina, tu és doida”.
Perceba que são escolhas. Eu não sei quem é você. Talvez você escolha tomar o chá apressada da vida, engolir de grutona um pedaço enorme de bolo e voltar ao seus próprios cuidados e morrer de tédio, sempre comendo comida de requenta, lanche com suspeitas de imundicie, prisão de McDonalds. Ou, escolha o melhor. Com Jesus, a mesa está sempre posta, é só vir! Ele convida a todos! Quer de dia, tarde, noite ou madrugada, sempre haverá seu brilho como o sol do campo do chá. Sempre haverá!
A colher de chá foi dada. Veja o que vai fazer.


Toma via crônica

As nossas preciosas mãos

Uma vez um bebezinho descobriu a mão. Viu a tia acenar devagar para que ele visse como era aquele balanço. Ele ergueu a sua, lentamente, olhou-a frente e verso, e assim ele descobriu-a. As suas obras em vida começaram a se erguer pois suas mãos pequeninas já não eram mais pequenos chocalhos; agora eram feituras de Deus para exercer feituras na Terra.
A mão é esquecida com o tempo, mas é lembrada, às vezes, em alguns momentos: a unha não feita, os dedos que não devo estalar para não engrossar e no momento que um rapaz a beija. Entretanto, as mãos são muito mais que isso.
Olho para as palmas das minhas mãos de vez em quando, e reflito. Penso no que elas podem fazer. Então escrevo as minhas crônicas, este solo onde minhas mãos lançam a semente, e aguardo colher seus frutos. E assim me lembro que elas são mais importantes que qualquer esmalte que possa usar, qualquer dedo que possa estalar, ou qualquer beijo doce que possa receber.

Toma via crônica.

Ih, ele é atirador de elite

(Para melhor entender essa crônica, assista: “Sniper americano” e “Até o limite da honra”).
“Lá vem o sniper”. A mulherada logo fala. Na barraca das patinhas espertas, de imóveis passam a se animar e saem logo da frente do garanhão. Lá vem o atirador de elite. É hora de correr.
Às vezes, nós mulheres somos iguais galinhas (sem a vulgaridade popular). Se você bate palma, as galinhas se dispersam. E como ele poderá atirar naquilo que saiu da sua mira? Que ele se tranquilize e as mulheres também. Cada galinha terá o seu galo.
Pobre Sniper. A vida dele é dura. Ninguém o quer e ninguém o chama de meu bem. Quando ele atira, ele não quer a patinha, e sim ursinha que é o verdadeiro prêmio. Por isso ele atira, e desesperadamente sem revelação, vai tu mesmo,  “e o que vier a mim, de maneira alguma lançarei fora”.
Mas tem mulher atiradora de elite também! As G.I.Janes. “Se aparecer na minha frente, eu sou a leoa”. “Raspo até a cabeça se for preciso!”, “Viro a Demi Moore e faço até frexão de braço em barra alta!”. Depois não se garante na sobrevivência emocional. Tenha amor por si mesma. Vale a pena esperar. Que alguém atire em seu coração.
E continuemos falando deles. Tem os que são apenas caçadores e metralhadores. Matam a sua presa, penduram a cabeça da mulher na parede e dizem apenas “catei mais uma”. Para esses que gostam desse verbo, uma clássica para ti: “Vai se catar, sem vergonha”. De preferência com os seus conceitos. Você está mal, rapaz.
Em suma, mulheres: snipers assustam, porém eles estão sempre atirando. Só fujam dos caçadores, esses nunca irão merecer uma mulher de valor.
Aos homens: Queridos snipers, sejam delicados e sempre viris. Um bom atirador não sai metralhando para todos os lados. Apenas olhe, ore, e quem sabe acerte aquele coração. Ninguém atira em algo que não se vê.

Toma via crônica.

Amarra no dedinho!

Não tem jeito de confiar na memória, meu amor. Vai você crendo que lembrará de tudo o que você tem que fazer num estalar de dedos, como se sua cabeça fosse a caixa registradora de todas as atividades. Ei, suprasumo, vamos anotar?
Desde os primórdios, quando a terra nem sonhava em tê-lo por aqui, as pessoas anotavam tudo mesmo. Dava um trabalho talhar pedra, quanto mais a confusão de não lembrar o que tem para fazer.
Toda mulher moderna precisa de uma caderneta na bolsa. Não é celular, não, moderninha, é desatrofiar os músculos dos dedos e escrever bonito para lembrar, não só dos afazeres, mas de muitas coisas que são boas e que Deus nos faz lembrar.
Escrever, meu amor, é história. Não acredite que um cronista mor da Torre do Tombo vai surgir do nada e registrar a sua biografia... Ho,ho,ho... Registre você mesmo! Sabe o porquê? A sua história é linda... Não só de lutas, e enfim bravuras, contentamentos, e momentos “Maria do Bairro”. Eu sei, mulher de vez em quando é uma personagem da Thalia, mas é valente como Jolie, e arrasa no final, a cada fim de TPM, a sobrevivencia do marido e dos filhos, e a vivencia do riso, de uma mulher que a tudo pode passar.
Sorria. Caso seja difícil se lembrar, amarre a lembrança como laços nos dedinhos. E não se esqueça (escreva ai): você faz parte de uma história com Deus.


Toma via crônica.

A louça da excelencia

Agora vai para as nossas queridas mulheres um curso intensivo de como lavar a louça com excelência, ou podem fazer um curso intensivo com a carrasca da mamãe na minha mocidade, que todas às vezes que me via em luxúria, botava-me em frente a uma pia asquerosa e dizia: “arrase na vida, arrase aqui primeiro”. Sempre terminava tudo direito, e seu instinto INMETRO tocava toda a louça lavada e peneirava qual foi bem lavada ou não. Metade voltava para a pia, o que significava reprovação. Eu odiava, mas ela estava certa. Era a minha saúde. Era o que eu deveria ser. Limpa.
Mas vamos para algumas dicas práticas:
1 – Não quer sujar a roupa, use avental. Logo aquela roupa encardirá, então a super pilota navegará da pia para o tanque;
2 – Amarre os cabelos. Seus fios na pia ou na esponja não são legais. Eles ficam mais bonitos grudados em sua cabeça;
3 – Veja se a esponja está digna. Se suja, pingue umas gotas de detergente e a emudeça embaixo d´água, lavado-a. Ninguém limpa as coisas com algo sujo;
4 -   Seja econômica. O detergente e a água não dão em árvores;
5 – Lave tudo frente e verso. Largue de ser preguiçosa e vai esfregar, minha filha;
6 – Enxague com agilidade. Mas não se preocupe, isso se adquire na prática, lembrando que tudo é real e você não é equilibrista de farol;
7 – Organize tudo no escorredor, pratos enfileirados, copos nos seus postos, talheres... Panelas por último sempre, de modo que seja a cobertura de tudo. Se tiver uma ajudante, dê o pano de prato em sua mão e sorria ironicamente;
8 – O teste final pode ser a vingança da moça do pano de prato. Arrase, secadora, nesse momento;
9 - Se você estiver sozinha, faça você mesmo o teste. Toque a louça, e, se seu dedo fizer o “moonwalker” do Michael Jackson, pode dar o “au!” e lave de novo. Se estiver, também, com restos de comida, espuminhas, nada mais digno do que refazer a obra. A saúde do seu corpo e de sua família conta com isso, e ninguém merece a falta da nossa perspicácia;
10 – Homens não lavam louça porque não tem esses nossos atributos tão aguçados, mas eles são bons para aprender, até o tchubirú (o cão) da casa faxina o chão após o almoço, e toda a família arrasa;
11 – As unhas! Não posso deixar de falar delas. Não pense na unha na hora da guerra porque mulheres tem que fazer o trabalho sujo. Você pode lavar a louça antes de ir ao salão, ou depois de umas horas, quando o esmalte permitir essa injuria. Para as casadas, chame o marido, diga que o ama, e admira o seu trabalho. Fique na espreita da pia como o treinador do time que ele ama;
12 – Minha querida, termine a obra lavando a pia e até aquele paninho indesejado, antes que ele se pareça um pano de chão;
13 – Para higienizar a bucha, lave-a debaixo dágua, esprema-a, enrole-a em papel toalha e deixe um minuto no micro-ondas. Os micróbios gritarão “Por que?!...” e deixarão de existir.
Pronto. Depois, arrase no “look” e finja que nada aconteceu.

Toma via crônica.

Sede

Você já deitou numa grama verde, abriu o corpo e olhou os céus, sem se importar com o que falariam de você ou o que pudesse acontecer adiante? Ou aproveitou uma chuva torrencial tão forte que molha a roupa toda até as calcinhas, e na enxorrada se deitou, riu, mexeu as pernas e gritou, que caísse o raio motivo da sua alegria? Jogar-se na piscina, correr disparada, atacar um ovo na cabeça do melhor amigo sentindo um prazer enorme com a alegria que lhe deixou, e zuar, e rir, e se molhar, toda essa balbúrdia que nos ajuda até a perder aquela roupa.
A presença de Deus é assim. Jogue no lixo a tua religião, e vem ser livre para se jogar nas profundidades de Deus, meu amor.
Se vão zombar, criticar, falar, desprezar...Fizeram isso com o Rei Davi. Tudo na Presença Dele virará motivo de riso e você vai querer dançar em cima desse pó todo que vai passar com o primeiro vento soprado dos céus.
Isso que eu digo é como dançar loucamente com a música dos céus, profético, doce e intenso como doce de morango que dá uma fisgada no maxilar, e você vai querer mais. Provar a Deus faz as pessoas sábias enlouquecerem ao ver, e se desbaratam nos seus medíocres entendimentos do que é de fato vida com Deus e não religiosidade.
“Meu Pai, agora quero correr. Quero me jogar a ti... Se tem uma palavra para definir tudo isso, essa palavra é ‘sede’”.


Toma via crônica.